quarta-feira, 7 de março de 2012

JÁ NÃO SOU O QUE ERA

Tu, com imenso amor, fundes o Teu olhar no meu
e inclinas Teus ouvidos à minhas mudas palavras
e enche-me o coração de uma profunda paz.

Mas teu amor não acha satisfação
nesse intercâmbio, em que pode haver ainda separação:
Teu coração anseia por mais.

Como banquete matinal vens a mim toda a manhã,
Tua carne e Teu sangue se fazem comida e bebida para mim,
e acontecem maravilhas.

Teu corpo misteriosamente penetra o meu,
e Tua alma se une com a minha:
já não sou mais o que era!

Tu chegas e partes, permanece porém a semente
que lançaste para frutificar na glória futura,
escondida no corpo de barro.

Permanece o vínculo que une coração a coração,
a corrente vital que brota da Tua
e a todos os membros vivifica.

Como são admiráveis Teus amados milagres!
só nos resta assombrar-nos, balbuciar e calar,
pois a mente e a palavra aqui falham.


Edith Stein




sábado, 25 de fevereiro de 2012



A BELEZA DO CARMELO
BEATO TITO BRANDSMA O.CARM
No Espírito e na força de Elias
A espiritualidade Carmelitana concebe a vida espiritual como algo orgânico que cresce. Neste ponto a vida do profeta dá-nos outra lição notável. A vida espiritual, do mesmo modo que a vida natural pede alimento. A Sagrada Escritura narra que Elias, robustecido pelo alimento que o Anjo lhe ministrou, andou quarenta dias e quarenta noites até o monte Horeb, onde lhe foi dado contemplar a Deus. A vida espiritual e a vida mística anseiam pelo santo alimento que Deus nos dá no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
            Na escola do Carmelo a vida contemplativa e mística é fruto da vida eucarística. A vida de Elias apresenta um dos mais típicos símbolos, prefigurativos do Santíssimo Sacramento do altar, fonte da nossa vida oração. O pão milagroso que o Anjo lhe deu é uma imagem perfeita do alimento eucarístico por cuja força percorremos a jornada da vida terena.
            O culto especial da Eucaristia não é exclusivo da Ordem do Carmo. Contudo, é lícito afirmar que tem sido sempre uma parte importante da tradição carmelita. Os nossos conventos foram em muitas ocasiões verdadeiros centros de culto eucarístico. Santa Maria Madalena de Pazzi sentiu-se atraída para o Carmelo de Florença porque as religiosas deste mosteiro recebiam diariamente a Sagrada Comunhão, costume pouco comum naquele tempo. Para Santa Teresa não havia maior alegria do que a abertura de uma nova igreja ou capela, novas moradas para o Senhor. A Regra do Carmo prescreve que todos os membros da Comunidade Carmelita assistam diariamente a Santa Missa e que a capela esteja no centro do claustro, facilmente acessível a qualquer hora do dia, e que as Horas Canônicas sejam rezadas na presença do Santíssimo Sacramento.
            Por ser uma Ordem mendicante, a arquitetura das igrejas e conventos costuma ser simples, mas a pobreza não se estende a ornamentação das igrejas e dos altares, Nisto nota-se uma divergência acentuada dos costumes de outras Ordens mendicantes, por exemplo, os Capuchinhos, em que a pobreza atinge o próprio santuário.
            Eis em breves traços a tradição eucarística do Carmelo. Com Elias caminhamos pela força do pão divino. Já que na oração nos achegamos a vida divina, lembremos continuamente o mandamento do Salvador “Se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a vida em vós”. Da mesma maneira que a comunhão de Elias no pão milagroso do deserto o conduziu na sua caminhada até a contemplação de Deus no Horeb, assim também a  Eucaristia deve conduzir-nos a contemplação da Sua Santa Face. Nas cavernas de Horeb Deus falou ao Profeta no murmúrio da brisa ligeira. O Senhor não estava na tempestade nem no terremoto, mas na leve aragem. É desta maneira que na Comunhão havemos de contemplá-la sob as espécies eucarísticas e nas profundezas de nosso espírito, pois Deus passa aí.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal



Santa Teresa Benedita da Cruz (Carmelita) e o Natal.


"Diante da criança no presépio, os espíritos se dividem. Ele é o rei dos reis e o Senhor da vida e da morte. Ele fala o seu: “Siga-me”, e quem não for a seu favor, é contra Ele. Ele o diz também para nós e nos coloca diante da decisão entre luz e trevas." (STEIN, Edith. O mistério do natal.[tradução Hermano José Cürten]. -- Bauru, SP: EDUSC, 1999, p. 17)

"Ó troca maravilhosa! O criador do gênero humano encarnando-se, concede-nos a sua divindade. Por causa desta obra maravilhosa o Redentor veio ao mundo. Deus se tornou Filho do homem, para que os homens se tornassem filhos de Deus. Um de nós rompeu o laço da filiação divina, e um de nós devia reatar o laço, pagando pelo pecado. Nenhum da antiga e enferma raça podia fazê-lo. Devia ser um rebento novo, sadio e nobre. Tornou-se um de nós e, mais do que isto: unido conosco. O maravilhoso no gênero humano é que todos somos um. Se fosse diferente, estaríamos lado a lado, como indivíduos autônomos e separados, e a queda de um não poderia ter se tornado a queda de todos. Podia ter sido pago e atribuído a nós o preço da expiação, mas não teria passado a sua justiça para os pecadores, e não teria sido possível nenhuma justificação.Mas Ele veio, para tornar-se conosco um corpo místico. Ele, nossa cabeça, nós, os seus membros. Ponhamos nossas mãos nas mãos do Menino-Deus, pronunciando o nosso “Sim” ao seu “Siga-me”. Então, nos tornamos Seus, e o caminho está livre, para que a sua vida divina possa passar para a nossa. Isto é o começo da vida eterna em nós. Não é ainda a visão beatífica de Deus na luz da glória, é ainda escuridão da fé, mas não é mais deste mundo, já é estar no Reino de Deus." (STEIN, Edith. O mistério do natal.[tradução Hermano José Cürten]. -- Bauru, SP: EDUSC, 1999, p. 19- 20) 

"E o Verbo se fez carne”. Isto se tornou realidade no estábulo de Belém. Mas cumpriu-se ainda de outra maneira. “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, este terá a vida eterna”. O Salvador que sabe que somos e permanecemos humanos, tendo que lutar dia após dia, com fraquezas, vem em auxílio da nossa humanidade de maneira verdadeiramente divina. Assim como o corpo terrestre precisa do pão cotidiano, assim também a vida divina em nós precisa ser alimentada constantemente. “Este é o pão vivo que desceu do céu”. Quem come deste pão todos os dias, neste se realizará, diariamente, o mistério do Natal, a Encarnação do Verbo. E este, certamente, é o caminho mais seguro, para se tornar “um com Deus” e de penetrar dia a dia de maneira mais firme e mais profunda no Corpo Místico de Cristo." (STEIN, Edith. O mistério do natal.[traduçã
o Hermano José Cürten]. -- Bauru, SP: EDUSC, 1999, p.28.)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Poema Noite Escura de São João da Cruz

                                                       




Em uma noite escura De amor em vivas ânsias 
inflamada
Oh! Ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
´stando já minha casa sossegada.
Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
´stando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada no amado transformada!

Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

5 de Dezembro, Beato Bartolomeu Fanti


Nasceu em Mântua, Em 1452 já era sacerdote Carmelita da Congregação Mantuana, durante 35 anos, na igreja carmelita de sua cidade, foi diretor espiritual e reitor da Confraria da Bem-Aventurada Virgem Maria, para a qual escreveu a Regra e Estatutos. Distingui-se por seu amor à Eucaristia.





Oração:

Deus, nosso Pai, fizestes do Bem-Aventurado Bartilomeu Fanti um apóstolo do culto à Divina Eucaristia e da devoção à Santíssima Virgem Maria, concedei-nos, a nós também, a mesma riqueza espiritual, que ele encontrou mediante a prática destas devoção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

História do Carmelo no século XIII em imagens:

"Não tendes apenas uma história gloriosa que deve ser recordada e transmitida, mas uma grande história, que deve ser construída. Olhai para o futuro, para onde o Espirito vos lança para fazer coisas gloriosas" (Beato João Paulo II) 


1204 - Santo Alberto é eleito Patriarca de Jerusalém pelos conegos do Santo Sepulcro 









1206 - Santo Alberto chega a Terra Santa:



1207 - Santo Alberto dá a regra aos carmelitas



1214 - 12 de Setembro, Santo Alberto é Martirizado:



1215 - Quarto Concilio de Latão proibe a criação de novas Ordens religiosas:



1216 - Jacques de Vitry, bispo de Accon, escreve sobre reflorecimento da vida religiosa na Terra Santa e dos Carmelitas no Monte Carmelo.



1226 - Confirmação da Norma de Vida dos Eremitas Latinos do Monte Carmelo por Inocêncio III:



1238 - retorno dos carmelitas para Europa, uma das primeiras fundações:



1251 - Prior Geral Simão Soctock tem a visão da Virgem Maria:




1254 - Capitulo Geral celebrado em Aylesford:



1261 - Alexandre IV da permição para os Carmelitas terem Igrejas publicas:



1266 - Nicolau Galico e eleito prior geral em 1271. Escreve a "Flexa de Fogo" (1270), louvando a vida contemplativa e negando a possível vida ativa dos carmelitas.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Monte Carmelo e os Carmelitas...

"'Cada Ordem toma seu nome de um lugar ou de um santo', escreve João Baconthop, carmelita inglês do séc. XIV; "de um lugar, como os Cistercienses, por um lugar chamado Cîteaux e nossa Ordem pelo Monte Carmelo", um monte da Palestina que entra no mar Mediterrâneo, formando sua costa a baía de Haifa."
frei Joaquín Smet, O.Carm